A Causa Animal em Expansão no Brasil


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A causa animal ganha dimensões que há algum tempo eram consideradas inimagináveis, com a sociedade começando a se conscientizar que são vidas que merecem respeito e maus-tratos e crueldade não têm mais espaço nos dias atuais.
Assim, manifestações ocorrem em toda parte do mundo, com defensores e ativistas fazendo a sua parte, modificando estruturas arcaicas, as mesmas que colocam os animais em condição de exploração, tais como touradas, rodeios, farra do boi, vaquejadas, rinhas de animais, abandono, tração animal, etc…
Infelizmente, o antropocentrismo ainda é realidade, trazendo a reboque o especismo, duas formas de entendimento que discriminam a fauna, colocando-a em condição de subserviência ao homem, ranço e mentalidades superadas, ou seja, que não cabem mais nos dias atuais, afinal, o amor e respeito à vida em sua diversidade precisa ser algo concreto e afiançável.
Explorar animais não tem mais sentido no terceiro milênio.

A senciência dos animais

A senciência dos animais é algo afiançável, tendo em vista os proficientes estudos por parte de equipe de neurocientistas canadenses, chefiados pelo Dr. Philip Low, docente da Universidade Stanford e pesquisador do MIT – Massachussets Institute of Technology e seus colegas.
Tais estudos comprovaram que os animais têm consciência, sentimentos e emoções, peculiaridades antes atribuídas somente à espécie humana, uma vez que cientistas assim entendiam, em virtude do córtex cerebral ser muito desenvolvido e complexo.
Low e sua equipe estudando meticulosamente o cérebro de animais, comparando-os, inclusive, com os de humanos, concluíram que não é o córtex cerebral o responsável por tais sensibilidades, mas determinadas zonas cerebrais similares entre humanos e animais. Tal entendimento fora comprovado em Conferência Internacional na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em Dezembro de 2012, portanto, fato muito recente que precisa ser amplamente divulgado. A revelação impactou toda a nata científica, o que exigirá reforma de entendimento em relação à fauna em amplo espectro.
Inclusive, Philip Low cunhou uma frase simples mas de grande conteúdo de verdade: “agora, não podemos mais dizer que não sabíamos”.
Com isso, começou a reverberar o conceito de bioética e a utilização de animais como cobaias para fins de pesquisas científicas começou a sofrer restrições; a Comunidade Científica Europeia não utiliza mais animais para pesquisas científicas para cosméticos e produtos de higiene ou limpeza no lar.
Todavia, pesquisas para fins farmacêuticos, infelizmente, ainda utilizam animais. Mas, há consenso entre cientistas que um dia os animais não mais serão utilizados para estes fins. Aqui, no Brasil, somente no estado de São Paulo há tal proibição dessas pesquisas para estes fins, ou seja, proibição de cobaias animais para fins de pesquisas para cosméticos e materiais de limpeza. Esperamos por sua vez que, a partir de agora, com este exemplo, todo o restante do país restrinja estas experiências.

Você sabia que já houve touradas no Brasil?

Muitos não sabem, mas infelizmente houve touradas no Brasil, herança portuguesa que teve fim em 1934 na gestão do presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-Lei 24645/34, proibindo definitivamente esta prática odiosa e cruel contra infelizes e indefesos animais.
Aliás, esta prática telúrica e inferior tem raízes na antiguidade, influenciando negativamente países latinos com esta atávica e cruel cultura. Inclusive, há um registro interessante em que o Papa Pio V, através da Bula De Salute Gregis, em 1567, horrorizado com as touradas, excomungou todos que participavam ou assistiam a estas modalidades criminosas e sangrentas, impróprias de seres civilizados e Cristãos. Somente a Itália cumpriu tal determinação.
Ainda hoje sabemos que diversos países, com apoio legal, praticam tais torturas. Mas, com as sociedades atualmente mais atentas e informadas, quero crer que em breve tempo estes assassinatos de touros nas arenas serão definitivamente proibidos nestes países que insistem com a rudeza e crueldade.
A Argentina, Cuba e Uruguai também foram nações que, infelizmente, praticavam esta “cultura inferior”. Todavia, com o avanço das leis protetivas aos animais, baniram definitivamente esta insanidade. A Argentina encerrou tal atividade em 1899; Cuba em 1901 e Uruguai em 1912.

Legislação branda e incipiente no Brasil

A Lei Fedral 9605/98, artigo 32, proíbe maus-tratos e crueldade no Brasil. Na verdade, de caráter infraconstitucional, ainda não muito respeitada no país, haja vista as dificuldades de punição aos infratores.
Todavia, a Constituição Federal em seu artigo 225 § 1º inc. VII dá status de vida à fauna e flora, inclusive, garantindo que nenhum animal poderá ser submetido à crueldade. Ora, temos a Lei Maior ou Carta Magna que garante direito de dignidade aos animais, por que então os maus-tratos continuam, assim como todos os tipos de crueldade e pouco se faz para punir infratores?
Um exemplo clássico e paradoxal é a Lei Federal 5197/67 que regulamenta a caça. Observem a incongruência: em seu artigo 2º proíbe a caça profissional mas, em contrapartida, no artigo 11º permite a caça esportiva, com associados a clubes ou sociedades amadoristas de caça e tiro ao voo, podendo ser organizados distintamente ou em conjunto com os de pesca.
Aliás, a pesca esportiva é outra modalidade que, infelizmente, está em expansão no Brasil e a sociedade precisa reclamar junto às autoridades contra este absurdo.
Vejam que não importa a vida animal – o que vale é a lei que regulamenta a proibição ou a permissão, desde que não coloque animais em extinção. Mas, com a repercussão da causa animal em todo o país e, por que não dizer, no mundo, acredito que o bom senso prevalecerá em breve tempo.
Alguns parlamentares já se preocupam com a questão animal, haja vista que à medida que repercute e sensibiliza a sociedade, obriga a mudanças profundas no entendimento à causa. É questão de tempo e estamos lutando civilizadamente para tal objetivo.
Gilberto Pinheiro é jornalista, palestrante em escolas e universidades sobre a senciência dos animais.

Yorkshires Micro: Os Cães são Minis, o Problema é Enorme

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Olá pessoal amante dos pequenos cabeludosyorkshires terrier.
Existe um tópico que em meu dia à dia de cinofila reprodutora da raça yorkshire sempre está em debate: existe yorkshire micro ou não?
Então aproveitarei esse espaço para tentar cessar essa duvida com algumas explicações. Assim, tanto criador como comprador, poderão se consciencializar sobre o assunto.
Em primeiro lugar, é importante entender que há tamanhos padrões da raça aceites pelo FCI (Federação Cinológica Internacional). O tamanho máximo padrão é de 3,10 quilos, não há nomenclatura para cães acima ou abaixo desse peso.
Vale a pena referir que há cães com porte muscular mais avantajado e isso os leva a ter ter um peso maior, já que a musculatura é integrada por água e por isso pesa mais. Os yorkshires têm que ser compactos, em proporção de altura de cernelha com comprimento.
Óbvio que isso não quer dizer que seu york tenha 10 quilos e seja compacto, pois isso é totalmente inaceitável. Tem de valer o bom senso, pois os yorkshires são cães de porte pequeno.
No mercado cinófilo, são muito procurados os cães de porte pequeno menores do padrão.
Até aí não haveria problemas, pois sempre há os menorzinhos e os maiorzinhos. O grande agravante é que, com o decorrer do tempo, devido à excessiva procura pelos yorks mais pequenininhos, uma massa paralela ao tamanho da raça apareceu: os tais yorkshires micro.
Comecei a pesquisar e conversar com vários veterinários e entendedores da raça e o que descobri foi muito triste: os criadores, em busca miniaturizar os cães, além de os cruzarem consanguineamente sem estudar (lembrando que há cruzamentos consanguíneos chamados inbreeding para uma confirmação da genética de perfeição, porem isso será assunto outro artigo), estão cruzando fêmeas e “forçando” o parto prematuro com cesária, para os fetos não terem total desenvolvimento.
Eles colocam para amamentar os maiores e deixam os menores para último, para não desenvolverem rapidamente (deixando eles com imunidade baixa).
Para fechar com chave de ouro, administram antibióticos injetáveis nos pequenininhos, assim os fungos e bactérias (sintetizados de laboratório) se alojam nos órgãos dos mocinhos e não só desacelera como também bloqueia o desenvolvimento dos órgãos para os fazerem ficar minúsculos.
Resultado: os cães tornam-se pequenininhos, com uma saúde e características lamentáveis (alguns apresentando hidrocefalia, fragilidade óssea, produção de anticorpos pequena, entre outros) e perspetiva de vida de 4 anos (contrabatendo com os saudáveis de 14 anos, no mínimo).
Esses é que são os conhecidos micros.
Quanto maior a procura pelos cães micro, maiores são as chances de aumentarem esse tipo de criação.
Porem, vale a pena referir que nem todo criador que vende micro, seja criador que comete essas barbaridades.
Por vezes são pessoas que não tem conhecimento de que os micros são cães “desenvolvidos artificialmente” e, ao perceberem que em seu plantel há cães menores vindo de pai e mãe menor, anunciam sem saber (eu mesmo já cometi essa gafe, antes de estudar a fundo).
Por isso acho muito importante estar colocando esse assunto aqui, para tentar consciencializar os criadores sérios e dedicados a não usar nomenclatura errada para cães corretos.
Assim os compradores terão também a melhor orientação para não comprar cães sem saúde e perspetiva de vida inferior que os demais.

Uma questão de genética

Tudo vem da genética, inclusive o tamanho.
Criadores que estudam seus cães geneticamente encontram em casais a compatibilidade genética, ou seja, tanto o macho como a fêmea possuem carga genética que, ao cruzarem, somam de forma positiva todas as características corretas aos padrões da FCI (beleza, textura de pelagem, coloração, marcação de pelagem, doenças provenientes da raça nula, dentição…).
A partir daí, encontrando a compatibilidade perfeita na teoria (estudos) coloca-se eles para namorarem.
Na primeira ninhada, o criador observa os filhotes em seu desenvolvimento até fase adulta (1 ano). Percebendo que foram confirmados os resultados encontrados na teoria, ele (criador) permite que a fêmea, quando pronta para cruzar, esteja sempre namorando com o mesmo macho.
Como deverá ter percebido, não foi mencionado o tamanho nesse estudo, justamente porque o propósito do estudo de compatibilidade genética é de encontrar as qualidades de características da raça.
Porem, presenciando o decorrer das ninhadas desse mesmo casal, percebemos qual é a carga genética de tamanho que esse casal envia para seus filhotes.
Então, a partir da terceira ninhada desse casal, há a confirmação de progênie, ou seja, a confirmação de todas as características, sendo elas de beleza, doença, biológicas, fisiológicas, anatómicas e claro, de tamanho… aí sim, o criador em questão pode com certeza certificar com autoridade quais as características e tamanho que o filhote terá em sua fase adulta.
Relembro que os filhotes que nascem pequenos demais, não serão necessariamente cães menores em fase adulta, mas sim filhotes que, ou não tiveram uma boa nutrição fetal, ou foram últimos fecundos.
Um exemplo básico, porem pratico: quem me conhece sabe que sou baixinha e isso não quer dizer que quando nasci, minha incubadora era uma caixa de fósforo… eu apenas cresci menos ao decorrer de meu desenvolvimento, por conta da carga genética que meus pais me enviaram.
O mesmo ocorre com os mocinhos, visto que qualquer animal, sendo ele racional ou não, se reproduzido de forma sexuada, envia as mesmas informações de desenvolvimento.

Dizer não aos cães minis

Já conversei com diversos clientes e amantes da raça yorkshire e sempre há aquele que tem ou já teve um cãozinho miniaturizado, ou seja, micro.
Cada um com suas peculiaridades, mas todos com tristeza e arrependimento de ter sido conivente, mesmo que sem querer, com tais métodos atípicos de criação.
Por isso convido aos leitores que tenham, tiveram ou conheceram alguém que teve um cão micro, que compartilhe a experiência ou esse artigo aqui. Quanto mais pessoas conhecem o processo de miniaturização, menos procura pelos micros teremos com certeza.
É assim que conseguiremos interditar aqueles que apenas conseguem enxergar em seres vivos tão perfeitos, apenas dinheiro e alimento para sua ganancia, falta de respeito e egoísmo.
Texto escrito originalmente em Português/Portugal

Como Deixar o seu Animal Sozinho em Casa

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As nossas rotinas atarefadas exigem que os animais possam ter de ficar algumas horas sozinhos em casa.
No entanto, não lhes chamamos animais de companhia apenas por nos fazerem companhia: eles também necessitam da nossa presença, atenção e afeto.
Antes de adotar um animal, as pessoas não costumam dar muita importância a este assunto. Afinal, tantos cães e gatos ficam em casa sozinhos quando os seus donos vão trabalhar e não morrem por isso.
Mas quando começam a surgir coisas estragadas em casa, objetos partidos ou necessidades espalhadas pelo chão, o caso muda de figura.
Punir o animal só vai agravar a situação, acrescentar mais stress a todo o stress que o animal já tem acumulado de quando fica sozinho:
Eles têm um tipo de memória diferente. Não são bons em raciocínio. Eles não conseguem olhar para trás e perceber que o que eles fizeram há uma hora atrás é a razão do seu dono estar zangado com eles.
— John Bradshaw, diretor do Instituto de Antrozoologia da Universidade de Bristol
O principal problema com as nossas saídas de casa é que animal não sabe se a nossa ausência é temporária. Fechar a porta de casa e sair para o trabalho é uma experiência normal para nós, mas pode ser muito stressante para os animais que ficam para trás.
Este é um assunto que deve merecer toda a nossa atenção e até tem estado em foco nos últimos tempos. Por exemplo, está agendada para 2016 a estreia do filme «The Secret Life of Pets» («A Vida Secreta dos Nossos Bichos» em português), que nos conta de uma forma divertida o que os nossos animais fazem quando os deixamos sozinhos. Veja o trailer, é excelente.
De volta à realidade, vamos de seguida analisar como cães e gatos vêm a ausência dos seus donos — e como pode ajudá-los a ficar sozinhos de uma forma bem mais tranquila.

Cães

Os cães são animais extremamente sociáveis e com uma notável ligação ao ser humano, pelo que não se sentem confortáveis quando deixados sozinhos.
A solidão e o stress podem mesmo desencadear uma crise em que os cães ficam “traumatizados como crianças abandonadas”, tal como referiu o investigador John Bradshaw, diretor do Instituto de Antrozoologia da Universidade de Bristol que estuda o comportamento de animais de estimação há 25 anos.
Esse stress e ansiedade pode desencadear uma série de comportamentos que naturalmente não desejamos que eles tenham, tais como ladrar incessantemente (possíveis problemas com vizinhança), necessidades fora do sítio, roer móveis, revirar lixo, lamberem-se incessantemente (provocando feridas), entre outros.
Provavelmente o seu cão nunca vai apreciar a ideia de ficar sozinho, no entanto, com algumas dicas é possível reduzir significativamente o problema.

Dicas para deixar o seu cão tranquilo em casa

  1. Habitue o cão aos poucos: Se o seu cão ainda não está habituado a ficar sozinho, é uma boa ideia começar a habituá-lo aos poucos. Experimente sair de casa por 5 minutos, voltar, sair por mais 15 ou 30 minutos, voltar de novo. Este pequeno treino ajuda o cão a compreender que você sai, mas volta, e com isso reduzir a ansiedade. Experimente também promover alguns períodos de silêncio e distanciamento durante o dia, para o cão se habituar e perceber que não há nenhum mal nisso.
  2. Não deixe o seu cão associar isolamento a punição: Uma vez que o seu cão ficará sozinho durante a sua ausência, ele não deve associar esse isolamento a algo mau ou punitivo. Pelo contrário. Ao associar o isolamento a coisas boas, ou pelo menos a algo natural, ficará mais tranquilo.
  3. Um bom passeio pela manhã: Um bom passeio com algum exercício pela manhã pode ajudar bastante. A energia gasta numa caminhada ou numa corrida já não será gasta em casa durante a sua ausência, pelo que ficará mais calmo. Claro que a quantidade de exercício deve ser ponderada caso a caso: o seu cão ainda é jovem ou nem por isso? Tem algum problema de saúde? Está muito calor? Tudo isto deverá ser tido em conta e em caso de dúvida o seu veterinário pode ajudar.
  4. Desvalorize a despedida e o regresso: Não diga adeus quando sai nem faça (ou deixe fazer) uma grande festa quando regressa. A separação e o reencontro devem ser hábitos normais, não um acontecimento. Se der muita atenção imediatamente antes de sair, o cão pode associar essa atenção a algo mau (vai ficar sozinho). De igual modo, se der muita atenção assim que chega, vai aumentar a ansiedade do cão da próxima vez que sair, ansioso pelo seu regresso e pela atenção redobrada que recebe.
  5. Deixe coisas para o seu cão fazer: É comum ler relatos de donos que chegaram a casa e viram algum objeto destruído, mas na verdade não deixaram nenhum brinquedo à disposição do animal para se poder distrair. Coloque alguns brinquedos pela casa antes de sair (bolas, bonecos, ossos próprios para brincar), para que o cão tenha algo que fazer durante as horas que estiver sozinho. Pode inclusive subir a parada: esconda alguns brinquedos em sítios acessíveis para que o cão os possa descobrir, mas que o obrigue a procurar primeiro, estimulando-o física e mentalmente.
  6. Música, Maestro!: Não precisa de colocar a 9ª sinfonia de Beethoven a tocar pela casa, mas uma simples televisão ligada, com o leve barulho de fundo dos programas, ajuda a combater a solidão. Escolha um canal ou um conjunto de programas calmos, como documentários da natureza ou, lá está, música clássica. Em alternativa, um simples rádio ligado é melhor do que nada.
  7. Um sinal da sua presença, mesmo ausente: A ansiedade de separação do seu cão será menor se tiver acesso a algo seu, com o seu cheiro — por exemplo uma peça de roupa que tenha usado recentemente.
  8. Um companheiro: Dois animais distraem-se melhor do que um animal sozinho. Claro que a decisão de adicionar um novo animal à sua família deve ter em conta muitos fatores para além da solidão, mas não deixa de ser uma ideia a ponderar. Fale com o seu veterinário e questione se será uma boa ideia adicionar um novo cão ao que já tem e o que deve procurar no novo companheiro (em termos de tamanho, género, energia ou temperamento). A última coisa que queremos é acabar com uma situação de incompatibilidade, má para nós e má para os animais.

Se ainda não tem um cão e pondera adotar um

Um estilo de vida que o leve a estar ausente durante grande parte do dia, devem fazê-lo refletir sobre se um cão é o animal certo para si — ou se quisermos colocar a questão de outra forma, se você é o dono ideal para um cão.
Como referimos em cima, os cães são animais muito sociais e, por sua vontade, ficavam junto dos donos 24/7. Se você pensa que o seu possível futuro cão ficará a maior parte do dia sozinho em casa, reflita bem sobre as vantagens e desvantagens. Para além da companhia e do afeto, os cães têm necessidade de ser passeados e exercitados diariamente.
Um animal de estimação exótico, sem a mesma necessidade de contacto e companhia constantes de um cão, poderá ser uma melhor opção para si e para o seu futuro animal de estimação.

Gatos

Os gatos, senhores do seu nariz, mantiveram desde sempre alguma independência e espírito livre — algo que a sua história de domesticação ajuda a explicar.
No entanto, tal não significa que os gatos não necessitem de companhia. Apesar de não serem extrovertidos com os seus sentimentos, os gatos apreciam a nossa companhia e gostam de nos ter por perto.
Como retrata uma conhecida citação:
A diferença entre cães e gatos é que os cães não fazem nada para disfarçar o seu apego, enquanto os gatos fingem ser coincidência estarem na mesma sala que você 97% do tempo.
Tal como os cães, também os gatos podem sofrer de ansiedade de separação com as nossas ausências e manifestá-lo através de problemas de comportamento: necessidades fora da caixa, miados mais agudos, problemas alimentares (umas vezes comer demais, outras deixar de comer), isolarem-se em casa, entre outros.

Dicas para deixar o seu gato tranquilo em casa

  1. As despedidas e os regressos: Tal como acontece com os cães, a ansiedade de separação no seu gato pode ser reduzida se não fizer da despedida e do regresso um acontecimento. Sobretudo quando sai, não encha o gato de mimos numa despedida prolongada. O carinho deve ser associado a um momento bom e não a um momento de despedida.
  2. Mantenha as rotinas: Os gatos são animais metódicos e gostam de seguir uma rotina. As refeições devem ser dadas sensivelmente à mesma hora e no mesmo local, assim como a caixa da areia deve estar no mesmo local e limpa, sem acumulação de fezes. Considere também deixar-lhe acesso livre aos seus sítios favoritos; compartimentos de portas fechadas são uma fonte de irritação para os nossos pequenos felinos (oh, se são!). Mantendo as rotinas em casa, o gato sente-se mais seguro e confortável.
  3. Crie um ambiente estimulante: Os gatos dormem durante a maior parte do dia, mas quando estão acordados — e sobretudo se estiverem sozinhos — necessitam de gastar energia. Deixe alguns brinquedos disponíveis em casa, que façam o seu felino correr e saltar até ficar exausto, satisfeito e por isso, muito mais calmo.
  4. Passe tempo de qualidade com o seu gato: Mesmo que necessite de estar várias horas diárias fora de casa, quando está presente certifique-se que dispensa tempo de qualidade para se dedicar ao seu gato. Brincar com ele, dar-lhe um pouco de mimo e de colo, deixá-lo estar ao seu lado. Apenas não o faça logo antes de sair ou depois de chegar (reveja o primeiro ponto).
  5. Esteja atento a alterações de comportamento: Se o seu gato se começa a comportar de forma diferente, como fazer necessidades pela casa, miar ou lamber-se excessivamente, entre outros, considere levar o bichano ao veterinário. Os gatos são muito discretos em relação aos seus sentimentos, pelo que uma alteração de comportamento pode indicar um problema de saúde sério.

Um novo gato?

Cães e gatos são animais muito diferentes, mas as pessoas tendem a associar os comportamentos de ambos como se significassem a mesma coisa. Isto leva a pensar que, uma vez que um cão pode apreciar bastante a adição de um novo cão à família, o gato também gostará de ter um novo gato para lhe fazer companhia.
No entanto, a especialista em comportamento felino Vicky Halls explica que este não é o caso:
Alguns gatos gostam de ter companhia de outros gatos, muito poucos precisam dela, mas a maioria dos gatos, se lhe fosse dada a escolha, preferiam viver sozinhos.
— Vicky Halls
É perfeitamente possível dois ou mais gatos darem-se bem (sobretudo se viverem juntos desde pequenos), mas não se preocupe demasiado em oferecer uma companhia felina ao seu gato: talvez ele não partilhe da sua opinião sobre isso.

Deixar o animal sozinho em dias festivos

Em festas populares e passagens de ano, que incluem normalmente espetáculos de fogo de artificio, é necessário ter um cuidado especial com os seus animais de estimação — sobretudo quando estes ficam sozinhos em casa.
Os cães, com uma sensibilidade auditiva grande, podem ficar tão assustados com o barulho dos foguetes que entram em pânico. Os gatos são também dotados de uma excelente audição, mas costumam lidar melhor com o barulho: ficam atentos, alertas, podem até esconder-se mas voltam à sua rotina quando o barulho termina.
Para que tudo corra pelo melhor, a primeira coisa que deve fazer é certificar-se que as portas e janelas de casa ficam bem fechadas: um animal em pânico pode tentar fugir de casa, com todos os riscos que isso acarreta (como ficar perdido ou sofrer um acidente). Além disso, portas e janelas bem fechadas abafam um pouco o barulho dos foguetes e não deixam passar os clarões.
Procure deixar o animal num compartimento da casa onde o barulho exterior seja menos audível, deixando lá comida, água e um sítio confortável onde se possa deitar, como uma caminha ou uma caixa de papelão, este último no caso dos gatos.
Deixe uma televisão ligada ou alguma música de fundo que seja familiar ao dia a dia do animal e que o deixe mais confortável.
Certifique-se também que objetos perigosos ficam fora do alcance, tais como álcool, fósforos, produtos químicos e outros. Um animal assustado pode desencadear um grave acidente, para si próprio e para toda a casa.
Se tem mais do que um animal em casa e existe um histórico de intolerância entre eles, é recomendável que os deixe separados. O barulho do fogo de artificio pode ser um catalisador para começarem uma briga e acabarem com ferimentos sérios.
Pode minimizar os riscos de os animais se assustarem com barulhos fortes se os habituar gradualmente a essas situações.
Por exemplo, interagir e brincar com eles enquanto o aspirador está ligado, ou até durante uma trovoada. Se os animais começarem a demonstrar um comportamento positivo ou de indiferença perante esses barulhos, é provável que não deem grande importância a um fogo de artifício no futuro.
Outra dica para minimizar os riscos é exercitar o seu cão ou gato algumas horas antes. Este exercício pode ser na forma de um passeio no caso dos cães ou de brinquedos no caso dos gatos. A atividade é uma excelente forma de controlar o stress e reduzir a tensão.

Deixar o animal sozinho por vários dias

Caso necessite de se ausentar por vários dias, deve proporcionar outros cuidados e ter outras precauções para que tudo corra bem.
Um gato, regra geral, pode ficar sozinho em casa durante um fim-de-semana (ou o equivalente a dois dias). São animais bastante independentes e sabem como se tratar sozinhos. Aliás, sendo uma ausência relativamente curta, é preferível deixá-lo sozinho do que sujeitá-lo ao stress de uma viagem numa caixa de transporte.
Certifique-se que deixa comida suficiente (uma taça bem composta de ração seca, que não se deteriora), água fresca em quantidade para os dois dias e a caixa de areia limpa.
Deixe o gato com acesso aos seus locais favoritos, sobretudo onde ele costuma dormir, pois essa será a sua principal atividade diária. Como já vimos anteriormente, não fazer alterações à rotina do seu gato é fundamental para que ele se sinta seguro e tranquilo.
Perante uma ausência mais prolongada, aí já serão necessários cuidados de pet-sitting (já lá vamos).
Os mesmos dois dias, para um cão, são um assunto diferente. Os cães necessitam de passear e podem adquirir problemas de saúde se tentarem reter a urina e as fezes durante muito tempo, à espera que o dono chegue para finalmente ir à rua.
Assim, mesmo que a ausência se limite a um fim-de-semana, é necessário ter alguém que possa ir a sua casa, tratar da alimentação, higiene básica e passear o seu cão, mantendo a sua rotina natural.

Pet-sitting

Em termos simples, um pet-sitter é como um baby-sitter, mas para animais de estimação.
São profissionais que, na sua ausência, procuram manter a rotina diária do animal e prestar-lhe os cuidados que são necessários, como a alimentação, mudança da água, higiene e passeios. Também administram medicação que o animal esteja a tomar e levam-no ao veterinário em caso de emergência.
Como o animal se mantém em casa, no seu ambiente normal, a experiência é menos stressante para o peludinho.
Dica: O pet-sitter deve ser previamente apresentado ao seu animal, caso contrário será visto como um absoluto estranho a entrar pela casa dentro na sua ausência. Nessa visita prévia, o pet-sitter ficará também a conhecer melhor os hábitos e características do animal, para poder cuidar dele o melhor possível.
Naturalmente o pet-sitting é um serviço pago, pelo que deverá ter sempre em conta a vertente financeira caso opte por esta solução.
Em alternativa, caso tenha familiares, amigos ou vizinhos de confiança que lhe possam dar uma ajuda com os seus animais na sua ausência, poderá ser uma solução mais económica. Certifique-se no entanto que são pessoas que conhecem bem os animais e sabem o que fazer perante uma emergência (uma das vantagens de ter um profissional à disposição).
Outra solução possível, mas também naturalmente paga, são os hotéis para animais. Como este artigo se foca nos animais que ficam em casa, não vamos aprofundar a questão da estadia em hotéis, no entanto, convém estar a par da existência destes serviços para planos futuros (como as próximas férias).

“Eu volto!” — conclusão

Os animais não percebem as nossas palavras quando lhes tentamos explicar que vamos voltar. Mas é possível, com alguns métodos e dicas, reduzir a ansiedade e o stress que eles sentem quando ficam sozinhos em casa.
Recapitulando:
  • Os cães tem uma ligação muito forte ao ser-humano e podem ficar “traumatizados como crianças abandonadas” quando deixados sozinhos em casa;
  • chave para os deixar mais tranquilos é cansá-los e exercitá-los com um bom passeio pela manhã, de forma a gastarem toda a energia e ficarem mais relaxados em casa. Um ambiente estimulante também ajuda a passar o tempo;
  • Os gatos são menos extrovertidos, mas não necessariamente menos apegados e podem sofrer de ansiedade de separação da mesma forma que os cães;
  • Manter as rotinas em casa e criar um ambiente estimulante com brinquedos são duas boas ajudas para que o felino passe melhor durante a sua ausência;
  • Na hora de decidir juntar um novo animal para fazer companhia ao seu, pondere bem e peça conselhos ao seu veterinário. Um cão poderá apreciar melhor a companhia de outro cão do que um gato apreciar a companhia de outro gato;
  • Tome especiais precauções ao deixar o seu animal sozinho em casa em dias festivos, pois o barulho de foguetes pode ser assustador. Acessos à rua devem ficar bem fechados e objetos perigosos fora do alcance;
  • Se a sua ausência é superior a um dia, poderá necessitar de contratar serviços de pet-sitting, ou recorrer a familiares, amigos ou vizinhos de confiança que possam ir a sua casa tomar conta dos seus animais.
Caso o seu animal continue a demonstrar sinais de ansiedade, recomendamos que consulte o seu veterinário. Este saberá avaliar a situação e, caso seja necessário, encaminhar para uma consulta de comportamento — leia aqui uma entrevista com um veterinário especialista em comportamento animal, para ter uma melhor ideia sobre o que se trata.
Dedique tempo de qualidade ao seu animal. É tão fácil fazer um animal feliz, um simples mimo não custa nada a ninguém e pode significar tanto para os nossos peludinhos.
Mesmo que esteja algumas horas diárias fora de casa, não há razões para não criar um vínculo forte com o seu animal. Este retribuirá da forma mais genuína do mundo.
Texto escrito originalmente em Português/Portugal
Bónus: Se tem animais de estimação exóticos, em particular roedores, leia este artigo sobre hamsters, em especial o subcapítulo “Férias e viagens”, onde poderá obter ideias sobre o que fazer com estes animais mais pequeninos perante uma ausência prolongada de casa.
Bónus 2: Considere imprimir um cartão para trazer consigo na carteira, informando que existe um animal sozinho em casa. Se ficar doente ou sofrer um acidente, a sua carteira é uma das primeiras coisas a ser verificada. Veja este exemplo em inglês.

As Principais Doenças em Cães


Existem algumas doenças que afetam particularmente os cães. Como responsáveis pela sua saúde e bem-estar, convém estarmos a par destes problemas de saúde, atentos aos sintomas e alterações de comportamento, bem como às principais medidas de prevenção — melhor do que curar uma doença, é nunca chegar a tê-la. E infelizmente há doenças sem cura.
Neste artigo, vamos fazer uma breve apresentação das doenças mais comuns em cães, para que conheça melhor cada uma, o que as causam, os sintomas, os tratamentos e a indispensável prevenção.
Recordamos que deve consultar sempre o seu veterinário assistente caso note que o seu cão apresenta algum destes (ou outros) sintomas, bem como para esclarecer qualquer dúvida acerca da saúde do seu animal de estimação.
A deteção precoce de determinadas doenças pode ser fundamental para um tratamento eficaz. Além disso, várias destas doenças podem ser prevenidas através de vacinação adequada, pelo que o acompanhamento regular com o veterinário é indispensável para manter o seu animal com boa saúde.
Conteúdos:

Leishmaniose

A leishmaniose canina, também conhecida como calazar, é uma doença causada por um parasita do género Leishmania, transmitido aos cães através da picada de mosquitos. Este parasita infiltra-se na medula óssea e em órgãos como o baço, o fígado e a pele.
Após o cão ser infetado, o período de incubação pode variar de apenas um mês até dois anos. Os primeiros sintomas verificam-se na pele, através da perda de pelo, descamação da pele e aparecimento de úlceras.
À medida que a doença evolui, o cão pode sofrer de emagrecimento, vómitos, perda de apetite, atrofia muscular, anemia, hemorragias nasais e alterações nos órgãos internos, em particular no fígado e nos rins.
Infelizmente a leishmaniose é uma doença de carácter crónico e os tratamentos disponíveis nem sempre são eficazes. É necessário haver um controlo veterinário permanente e um continuo ajuste dos tratamentos, de forma a proporcionar ao animal a melhor qualidade de vida possível.
A melhor forma de prevenir a leishmaniose é através do uso regular de coleiras, pulverizadores e pipetas inseticidas que impedem a picada dos mosquitos. Alguns produtos utilizados na eliminação das pulgas também protegem contra estes mosquitos.
É de evitar passeios em zonas húmidas, próximas de charcos e lagos, em especial ao amanhecer e ao entardecer, pois são os períodos em que os insetos estão mais ativos.
Em Portugal já existe uma vacina contra a leishmaniose, pelo que se deve aconselhar junto do seu médico veterinário.
Note ainda que a leishmaniose não é uma doença exclusiva dos cães, e pode ser transmitida a humanos através das picadas dos mesmos insetos. Geralmente uma pessoa com um sistema imunitário normal corre um risco pequeno de contrair a doença, sendo necessário um maior cuidado com imunodeprimidos. No caso da leishmaniose humana, as perspetivas de cura são muito boas, acima dos 95%.

Cinomose / Esgana

A cinomose, também conhecida como esgana ou doença de Carré, é uma doença provocada pelo vírus CDV (Canine Distemper Vírus) e uma das mais graves doenças infeciosas que podem afetar os cães — apenas a raiva possui uma taxa de mortalidade superior.
Os cães mais suscetíveis a serem infetados são os mais jovens (até um ano de vida) e adultos que por algum motivo não tenham sido vacinados, ou sejam imunodeprimidos.
O vírus da cinomose é capaz de afetar todo o organismo do animal, em especial os pulmões, o trato intestinal e o sistema nervoso. Os primeiros sintomas costumam ser respiratórios, com o aparecimento de secreções nasais purulentas, dificuldade em respirar e até pneumonias. Nos olhos, também aparecem secreções purulentas, as conhecidas remelas, em quantidade excessiva.
Outros sintomas incluem perda de apetite, vómitos, diarreia, febre e nos casos mais graves, alterações no sistema nervoso, como convulsões, ataques epiléticos, fraqueza dos membros, paralisias e perda de coordenação.
A cinomose é particularmente grave se o cão já tiver um sistema imunológico debilitado, pois além da disseminação do vírus ser mais rápida, o animal pode sofrer simultaneamente de infeções secundárias, causadas por bactérias oportunistas que aproveitam a incapacidade do organismo em se defender.
Infelizmente, tal como na leishmaniose, a cinomose não tem cura. Os tratamentos disponíveis visam o controle dos sintomas e o combate a infeções secundárias, para que o animal possa ter alguma qualidade de vida.
A prevenção da cinomose é conseguida através da vacinação. Sendo uma doença altamente contagiosa entre cães, recomenda-se que os cães mais jovens não sejam levados a passear na rua até que tomem a respetiva vacinação.

Sarna

A sarna é uma doença provocada por ácaros nocivos, que danificam de diferentes formas a pele dos cães.
Existem três tipos de sarna, cada um provocado por um determinado tipo de ácaros, cada um deles com as suas características e diferentes formas de atacar os animais.
É muito importante que não se aplique medicação por iniciativa própria, uma vez que cada tipo de sarna tem o seu modo de atuação e o seu respetivo tratamento. Deve ser sempre o veterinário a fazer o diagnóstico e então recomendar o tratamento mais adequado.
Conheça melhor cada tipo de sarna:

1. Sarna sarcóptica ou escabiose

Este tipo de sarna é causada pelo ácaro da espécie Sarcoptes scabiei. Estes ácaros provocam grande comichão nos cães, que ao tentarem aliviar-se coçam-se, lambem-se e até se mordem.
Altamente contagiosa, transmite-se por contacto direto para com outros cães, mas também para gatos (onde se denomina sarna notoédrica), ratos ou seres humanos.
É possível identificar um animal infetado através da pele avermelhada, queda de pelo, crostas, escoriações e borbulhas.
O tratamento desta sarna é geralmente tópico (medicação aplicada localmente) e inclui banhos com produtos especiais. Em certos casos pode ser necessária medicação oral ou mesmo injetável.
Tanto o cão como os seus pertences (cama, mantas, brinquedos, etc) devem ser isolados de outros animais até ao tratamento estar completo. Os pertences devem ser agressivamente higienizados, para que os ácaros não voltem a infecionar o animal.

2. Sarna otodécica

Este tipo de sarna é também conhecida como sarna de ouvido, pois é essa a região do corpo do animal que afeta. O agente responsável é o ácaro Otodectes cynotis.
Os cães ficam com grande comichão nas orelhas, e podem provocar feridas devido à intensidade com que se coçam. Pode também surgir uma acumulação exagerada de cera dentro do ouvido do cão, que por sua vez pode evoluir para um quadro de otite.
O tratamento geralmente consiste em medicação aplicada nos ouvidos em forma de gotas e em banhos especiais.
A sarna otodécica é transmissível entre cães e gatos, pelo que os animais infetados devem ser mantidos em isolamento.

3. Sarna demodécica

A sarna demodécica, conhecida popularmente como sarna negra, é causada pelo ácaro Demodex canis.
Este tipo de sarna é bastante diferente das anteriores. Ao contrário dos outros ácaros, este ácaro já vive habitualmente na pele dos cães e é inofensivo em cães saudáveis. Porém, existem cães com predisposição genética a ser afetados por estes ácaros, através de problemas imunológicos.
Quando o sistema imunológico do animal não funciona corretamente, estes ácaros começam a reproduzir-se descontroladamente e tornam-se então nocivos.
Ou seja, esta sarna não é uma doença contagiosa, porque o ácaro já se encontra em todos os cães, e só são afetados os que tiverem os tais problemas de imunidade.
A sarna negra não provoca comichão, como os outros tipos de sarna, mas sim ferimentos que se podem tornar graves, com secreções e odor intenso. A situação fica mais complicada se uma infeção secundária se aproveitar da situação do animal. Por exemplo, a bactéria Staphylococcus aureus é oportunista e quando encontra feridas abertas, coloniza-as e eventualmente infecta-as.
Como esta sarna parte de predisposição genética, é aconselhado a que o animal infetado nunca se reproduza, evitando assim a propagação da doença geneticamente para os seus filhotes.
Este tipo de sarna não tem cura, embora existam tratamentos para a manter controlável, que incluem medicação tópica e banhos.

Leptospirose

A leptospirose é uma doença provocada por bactérias do género Leptospira, que afeta diversos mamíferos incluindo seres humanos.
A bactéria desenvolve-se nos rins do animal infetado. Quando este urina, a bactéria é libertada viva para o ambiente, onde consegue sobreviver por vários meses caso encontre as condições ideais: épocas chuvosas e águas paradas. A chuva arrasta a urina até fontes de águas paradas, que ficam assim infetadas.
Um cão pode apanhar leptospirose apenas por cheirar a urina de um animal infetado, aumentando as hipóteses de contaminação se beber ou brincar em água contaminada. A bactéria também consegue entrar no organismo através de feridas abertas, ou através da simples mordida num alimento que tenha estado em contacto com a bactéria.
Cerca de 4 a 11 dias após a contaminação, começam a surgir os primeiros sintomas no cão. À medida que a bactéria vai invadindo os diversos órgãos do organismo, começa por surgir a febre, perda de apetite, letargia, hemorragias e hematomas (manchas vermelhas ou roxas na pele).
A pigmentação da pele é afetada, podendo surgir uma coloração amarelada e icterícia. Num estágio mais avançado, podem aparecer úlceras na boca e na língua, vómitos e diarreia.
Sendo uma doença bacteriana, a leptospirose é tratada com antibióticos. Nos casos mais graves, sobretudo quando já se verifica disfunção hepática ou insuficiência renal, são necessários outros tipos de tratamento de suporte.
A prevenção desta doença consegue-se através de uma cuidada limpeza dos jardins e/ou quintais que a casa possua, bem como a certificação de que não existem roedores por perto, pois são um dos principais transmissores da leptospirose através da urina. Deve-se também limitar o acesso do cão a áreas de maior risco, como água parada, potencialmente contaminada.

Giardíase

giardíase é uma doença causada por parasitas do género Giardia, que invadem o sistema digestivo do animal e se alimentam dos nutrientes que este ingere. A giardíase também afeta gatos e seres humanos.
A transmissão deste parasita é feita através de cistos, que chegam ao meio ambiente através das fezes de outros animais previamente infetados. Mesmo após a remoção das fezes, os cistos são capazes de sobreviver durante meses.
Para o cão ser infetado, basta pisar os cistos na rua e posteriormente ingeri-los ao lamber as patas. A ingestão de água ou alimentos contaminados também dá origem à infeção. Uma vez dentro do organismo, os cistos desenvolvem-se nos parasitas adultos.
Como a Giardia absorve os nutrientes da alimentação do animal, o cão começa a perder peso e a desidratar, aos quais são associados sintomas como as dores abdominais, a diarreia e os vómitos, que ainda enfraquecem mais o animal.
O tratamento da giardíase é feito com medicamentos anti-parasitários que eliminam com sucesso o parasita do organismo.
Para prevenir a contaminação da Giardia, recomendam-se as técnicas de higiene normais de prevenção de doenças, tais como a correta higienização das mãos e dos alimentos antes das refeições, bem como a limpeza frequente de todos os espaços onde possa existir transmissão fecal-oral. Existe vacinação contra a Giardia.

Cistite

A cistite é uma doença causada por bactérias, que afetam o trato urinário dos cães, em particular a bexiga. Por esse motivo é frequentemente chamada apenas de infeção urinária.
Os cães mais vulneráveis são os idosos, fêmeas adultas após o cio e animais que tenham o seu sistema imunológico comprometido. A infeção urinária pode desenvolver-se através do simples contacto do animal com o solo (infetado) quando está a urinar.
Também pode ocorrer cistite na forma de inflamação e não infeção. Doenças como a diabetes, tumores, cálculos renais ou fungos podem estar na sua origem, assim como certos medicamentos que o animal esteja a tomar e até produtos químicos colocados no ambiente.
Um cão com cistite geralmente começa a urinar com maior frequência, e a sua urina é acompanhada de um odor forte, que pode também conter sangue. O ato de urinar começa a tornar-se desconfortável para o animal, porque lhe causa dores, o que será bastante percetível ao dono.
Pode também ocorrer febre, fraqueza, falta de apetite e o animal adotar um comportamento mais abatido devido ao desconforto.
O tratamento da cistite, sendo uma doença bacteriana, costuma ser feito através de antibióticos. Outras doenças que possam estar na origem da cistite, como tumores ou cálculos renais, naturalmente necessitam de outro tipo de tratamentos.

Obesidade

Obesidade é algo que todos nós sabemos o que significa. É uma das maiores preocupações da sociedade moderna ao nível da saúde, geralmente resultado de alimentação e estilos de vida desadequados, embora também possa ser provocada por outras doenças (como hipotiroidismo).
A obesidade, ou excesso de peso, ocorre quando a energia consumida através dos alimentos é superior às necessidades do organismo. Os donos devem controlar a alimentação dos seus animais, consoante aquilo que estes necessitam. Por exemplo, um cão com muita atividade física necessita de mais energia do que um cão que faz pouco exercício.
Geralmente deteta-se a obesidade através da silhueta do animal:
  • Peso ideal: costelas palpáveis mas não visíveis;
  • Excesso de peso: costelas dificilmente palpáveis;
  • Obesidade: costelas não palpáveis.
Infelizmente a obesidade está longe de ser um problema estético, daí a necessidade de ser tratada logo a partir dos primeiros sinais. O excesso de peso pode provocar problemas cardiorrespiratórios, artrite, rotura de ligamentos, diabetes (e consequente cegueira) e diminui a esperança de vida do cão.
Para tratar a obesidade canina, devem ter-se em conta dois grandes fatores: em primeiro lugar, o ajuste da alimentação, e em segundo, uma alteração dos hábitos diários.
Em termos de alimentação, existem rações especificamente formuladas para a perda de peso. O médico veterinário recomendará a ração mais ajustada e indicará as dosagens corretas, que devem ser rigorosamente respeitadas pelo dono.
Quanto aos hábitos diários, deve introduzir-se mais atividade física que permita gastar mais energia. Por exemplo, passeios mais prolongados, jogos e brincadeiras, além de permitirem gastar calorias, ainda estimulam a relação dono-animal.
Mesmo seguindo um programa de perda de peso à risca, os efeitos não são imediatos, tal como acontece connosco. São necessários vários meses até que o cão volte ao seu peso ideal.

Diabetes

A diabetes mellitus é uma doença comum em cães, que ocorre quando o organismo do cão não consegue produzir uma quantidade suficiente de insulina (uma hormona produzida pelo pâncreas), ou não a consegue processar corretamente.
Sem a insulina, a glucose (um tipo de açúcar) que é absorvida no aparelho digestivo quando o animal se alimenta, não consegue entrar para o interior das células do organismo para ser utilizada como fonte de energia, como é suposto.
Em vez disso, a glucose começa a acumular-se na corrente sanguínea. Quando os níveis de açúcar no sangue são muito elevados, ocorre um fenómeno chamado cetoacidose diabética, que leva o animal a ter vómitos, grande fraqueza e uma letargia grave. A cetoacidose é uma emergência médica e deve ser tratada o mais rápido possível.
Um cão com diabetes parece ter sempre fome, e ao mesmo tempo pode apresentar sinais de desnutrição, pois a glucose não consegue ser absorvida pelas células. Pode também ter mais sede e urinar mais. Alguns cães com diabetes podem tornar-se obesos e começarem a cegar devido a cataratas.
A diabetes é uma doença que não tem cura, mas pode ser perfeitamente controlada através da administração de insulina, uma dieta alimentar apropriada e algum exercício físico.
A quantidade de insulina necessária varia consoante o estilo de vida do cão, pelo que quando se atinge a dose ideal de insulina, o cão deve manter quer a atividade diária (exercício), quer a sua alimentação, em dosagens muito regulares e repetidas dia após dia.
É um tratamento para toda a vida, pelo que exige compromisso por parte dos donos.

Otite

A otite canina é uma inflamação do conduto auditivo, que se torna bastante desconfortável para o animal.
Geralmente é fácil de identificar quando um cão está com otite, precisamente pelos sinais de desconforto que este apresenta. O animal começa a coçar demasiado as orelhas e a sacudir a cabeça com frequência, chegando a gemer quando o faz.
O ouvido começa a apresentar uma quantidade excessiva de cera e também um odor intenso. As dores, por vezes intensas, afetam o comportamento habitual do cão, que pode perder o apetite e começar a andar com a cabeça inclinada para um dos lados.
Caso a otite seja apenas inflamatória, a aplicação de medicamentos e limpeza no ouvido pode ser suficiente para tratar o problema. Se já tiver evoluído para uma otite bacteriana, ou seja, com infeção, é necessária a utilização de antibiótico.
Para prevenir o aparecimento de otites, deve-se manter os ouvidos do cão limpos, por exemplo com uma limpeza semanal. Tendo em conta que as bactérias e os fungos se desenvolvem melhor em ambientes húmidos, deve-se também proteger o cão durante o banho. A utilização de tampões em algodão durante o banho e enxugar bem as orelhas para não ficarem molhadas são excelentes medidas preventivas.

Parvovirose

A parvovirose é uma doença provocada por um vírus da família Parvoviridae, de atuação muito rápida e aguda especialmente perigosa para os cães mais jovens. É uma doença conhecida há relativamente pouco tempo, com os primeiros casos a terem sido reportados na Austrália em 1978.
Geralmente os cães contraem esta doença através do solo contaminado. Como o vírus se desenvolve no trato intestinal dos cães infetados, é libertado em grandes quantidades nas fezes, que por sua vez vão para os solos. Trata-se de um vírus muito resistente, capaz de sobreviver durante meses no solo até infetar o próximo animal.
Cerca de 4 a 14 dias após a infeção, o animal começa a ter febre e a perder o apetite. Um ou dois dias depois, chegam os vómitos e a diarreia, que contém progressivamente mais sangue de cada vez que o animal defeca. Os sintomas progridem muito rapidamente e a taxa de mortalidade é elevada.
O tratamento da parvovirose é sintomático, uma vez que não existe nenhum medicamento capaz de combater diretamente o vírus. A desidratação que a diarreia provoca é tratada com fluídos intravenosos (soro) e medicação adicional para diminuir os vómitos.
Uma vez que o vírus enfraquece a barreira intestinal, as bactérias normais do intestino começam a passar para a corrente sanguínea, o que pode provocar septicemia, que tem de ser tratada com antibióticos.
O sucesso no combate à parvovirose depende essencialmente do sistema imunitário do cão. Por esse motivo os cães mais jovens, com um sistema imunitário mais frágil, são as principais vítimas deste vírus.
A principal forma de prevenir esta doença é através da vacinação. Para proteger os filhotes durante os primeiros meses, geralmente é feito um reforço de vacinação ás cadelas grávidas. Recomenda-se que os cães não sejam levados a passear ou colocados em ambientes propícios de ser contaminados, até serem devidamente vacinados.

Displasia da anca

A displasia da anca, ou displasia coxofemoral, é a doença ortopédica hereditária mais comum nos cães.
Trata-se de uma má formação na articulação coxofemoral, ou seja, o local onde a pata traseira se encaixa na cintura pélvica, o que leva o animal a sentir dificuldades em caminhar, a começar a coxear e a sentir dores quando se desloca. O cão começa a evitar situações rotineiras como subir escadas, saltar, correr ou sequer levantar-se.
Em casos mais graves, o cão pode começar a tentar deslocar-se sem mover as patas traseiras, arrastando-se, levando a uma desproporção no desenvolvimento dos seus músculos, que ficarão mais desenvolvidos nas patas dianteiras e mais atrofiados nas patas traseiras.
Os primeiros sinais da displasia costumam surgir nos cães ainda jovens, entre os quatro e os sete meses de idade. São mais suscetíveis os cães de crescimento muito rápido, que ganham rapidamente peso e as raças de porte grande e gigante.
O tratamento da displasia da anca geralmente é mais agressivo nos cães jovens, para evitar complicações no futuro, e pode incluir cirurgia. Em cães que já ultrapassaram a fase de crescimento é procurado o tratamento que dê melhor conforto ao animal, o que pode incluir medicação para aliviar as dores (analgésicos), anti-inflamatórios e exercícios de fisioterapia. O tratamento pode incluir cirurgia para colocação de uma prótese.
Sendo uma doença hereditária, os cães que sofrem de displasia coxofemoral não devem ser reproduzidos, para não passar o problema aos seus filhotes.

Raiva

A raiva é uma das doenças mais conhecidas e temidas pelas pessoas, que atinge não apenas os cães como todos os mamíferos, particularmente raposas, furões, coiotes, guaxinins, morcegos, doninhas e seres humanos.
Apesar de ser uma doença erradicada em vários países, é incurável e tem um prognóstico muito grave, que na esmagadora maioria dos casos se revela fatal. Aliás, é a doença com a mais elevada taxa de mortalidade nos cães.
A raiva é uma doença provocada por um vírus da família Rhabdoviridae, que atinge o sistema nervoso. O principal método de transmissão é através da saliva, pelo que um animal pode ser infetado através de uma mordedura, arranhão ou lambidela.
Afetando o sistema nervoso, a raiva provoca uma alteração profunda no comportamento do animal. Os cães ficam extremamente agitados, com espasmos intensos nos músculos, não respondem aos donos e procuram locais escuros e escondidos para ficar.
Em poucos dias, evolui para um quadro de agressividade, com muita salivação, o animal deixa de comer e de beber, até chegar a um estado paralisia que leva o animal à morte.
Em alguns casos, os cães não ficam agitados mas sim depressivos e sonolentos (a chamada raiva muda).
A prevenção da raiva é feita através do programa de vacinação, tanto nos animais como em humanos.
Em vários países a raiva está erradicada graças ao controlo sistemático das entradas dos animais, que passa por uma eventual quarentena na altura de entrada no país e também pela exibição de atestados de saúde e vacinação. Em Portugal, apesar de estar erradicada desde 1960, uma mulher morreu com raiva em 2011.

Coronavirose

Tal como o nome indica, trata-se de uma doença provocada por um vírus do género Coronavirus. Este vírus, altamente contagioso, desenvolve-se no interior do intestino dos cães e transmite-se assim através de fezes infetadas. É também conhecida como Gastroenterite Contagiosa dos Cães.
A infeção provocada por Coronavirus não é considerada grave, e geralmente provoca apenas vómitos e diarreia durante alguns dias até ao animal recuperar, sem necessidade de tomar medicação.
No entanto, animais com sistema imunitário mais frágil (como bebés) estão em maior risco de desenvolver complicações graves, como inflamação no intestino, diarreia prolongada e desidratação.
O facto de a coronavirose poder passar sem tratamento específico não implica que se deva deixar de ir ao veterinário quando os sintomas aparecem — até porque os sintomas são semelhantes ao da parvovirose, que é mais grave. Pode-se pensar que é uma coisa, e é outra. Tem de ser o veterinário a diagnosticar, atempadamente, para evitar complicações maiores.
A coronavirose também se pode tornar particularmente perigosa se o animal for infetado simultaneamente com outros agentes que afetam o sistema intestinal. Mais uma vez, a parvovirose pode estar envolvida.
Tal como acontece noutras doenças provocadas por vírus, não existe nenhum medicamento que atue diretamente sobre o Coronavirus. O tratamento é assim dirigido a aliviar os sintomas do animal, como o combate à desidratação através da administração de fluídos (soro) e medicação que ajude a evitar os vómitos e a diarreia.
Esta doença pode ser prevenida através da vacinação.

Dermatofitose

A dermatofitose é uma doença de pele provocada por fungos. Geralmente não é considerada uma doença grave em cães saudáveis, com o sistema imunitário normal, uma vez que este é capaz de combater os fungos.
Em cães com sistema imunitário mais frágil, como os mais novos, mais velhos ou que tenham outra doença a interferir, é necessário ter outro tipo de cuidados, pois pode chegar a evoluir para um quadro clínico grave e mesmo crónico.
A transmissão da dermatofitose dá-se através do contacto direto com o pelo de outros animais infetados. O fungo infeta diversos mamíferos, incluindo gatos e nós próprios.
A dermatofitose é facilmente identificada no corpo do animal, pois provoca lesões redondas com peladas, com maior incidência na face e nas patas dianteiras. Em casos mais graves, o cão coça-se muito e fica com dores nos locais afetados.
O tratamento desta doença é um pouco demorado. Inicialmente, é necessário fazer uma biopsia no tecido infetado para se conseguir identificar a espécie de fungo que causou a dermatofitose. Depois de identificado, o veterinário prescreve os antifúngicos mais adequados e o tratamento poderá demorar dois meses.
Caso surjam infeções secundárias, poderão ser necessários antibióticos.
Uma boa alimentação e uma boa secagem do pelo do cão após cada banho ou molha, ajuda a prevenir o aparecimento desta doença.

Berne

A berne é uma doença provocada por parasitas, mais concretamente larvas de mosca varejeira, pelo que muitas pessoas a consideram uma doença nojenta.
Explicando de forma simples, a mosca varejeira precisa obrigatoriamente de um hospedeiro quando se encontra na fase larvar. Então, as moscas adultas depositam os seus ovos no corpo de mamíferos, neste caso os cães, que ao eclodirem causam no hospedeiro uma miíase — infeção parasitária devida à infestação dos tecidos ou cavidades do corpo por larvas de insetos.
Algumas espécies depositam em cada lesão da pele uma única larva esbranquiçada conhecida por berne, enquanto outras espécies depositam vários ovos, ocasionando inúmeras larvas na lesão, a que se chama bicheira.
No caso da berne, a mosca varejeira não deposita os ovos diretamente no cão — fá-lo com outro inseto, que captura e é este que se dirige ao corpo do animal que vai servir de hospedeiro.
O animal infetado com berne deve ser avaliado por um médico veterinário, que indicará o medicamento mais adequado. O medicamento é geralmente colocado sobre os pequenos buracos da pele onde se encontram os parasitas, matando as larvas por asfixia.
Depois de mortas, as larvas devem ser retiradas, espremendo os locais onde se alojam.
A melhor forma de prevenir a berne é através da higiene do local onde o animal vive, para que não surja acumulação de moscas que possam transmitir o parasita. O pêlo do cão deve ser escovado e verificado regularmente, os banhos devem ser mantidos em dia e deve-se estar sempre atento a comichões anormais que o animal tenha.
Existem coleiras e produtos repelentes, como a citronela, que ajudam a manter os insetos longe dos animais. Existem ainda medicamentos que podem impedir as larvas de entrar e se alojar na pele do animal, mas devem ser sempre receitados pelo médico veterinário.

Dirofilariose

A dirofilariose é uma doença parasitária que afeta o coração dos cães e também dos gatos. É também conhecida como “o parasita do coração” ou “a lombriga do coração”. O parasita é um nemátodo chamado Dirofilaria immitis.
Os animais são infetados através da picada de um mosquito, tal como acontece na leishmaniose. Quando o mosquito pica, insere no corpo do cão as larvas deste parasita. Estas larvas são tão pequenas que se denominam por microfilárias. Elas conseguem, através da pele e dos músculos, chegar à corrente sanguínea e navegampelos vasos sanguíneos até chegar ao coração.
Uma vez que lá chegam, alojam-se no ventrículo direito, na artéria pulmonar e na veia cava, onde as larvas continuam o seu desenvolvimento até se tornarem no parasita adulto. Este processo pode levar cerca de 6 meses, e as Dirofilarias adultas podem chegar a medir 35 centímetros cada uma.
Quando se alojam em grandes quantidades, a função cardíaca do animal é substancialmente reduzida, provocam problemas respiratórios, tosse crónica e um cansaço permanente.
O cão começa a perder peso e a tolerar menos o exercício físico. Com o agravar da situação, o cão começa a sentir dificuldades em respirar, surge a febre e pode ocorrer ascite — acumulação de líquidos no abdómen. Sem tratamento, é uma doença que se pode revelar fatal.
Felizmente, é uma doença curável, embora o seu tratamento seja demorado e tenha efeitos secundários complicados, pelo que o acompanhamento próximo do médico veterinário é essencial.
Mesmo após os parasitas morrerem, por efeito da medicação, estes podem continuar a causar problemas, como bloquear vasos sanguíneos e levar à formação de tromboses.
Tal como acontece com a leishmaniose, a melhor forma de prevenção da dirofilariose é evitar que os mosquitos cheguem a picar o animal, através de coleiras e produtos especializados.
Existem também tratamentos preventivos, em forma de comprimidos ou injeções, que visam eliminar as microfilárias que tenham eventualmente entrado no organismo, evitando que cheguem a desenvolver-se no parasita adulto.

Insuficiência renal

A insuficiência renal é uma doença relativamente comum tanto em cães como em gatos, sobretudo numa idade mais avançada ou associada a outras doenças (infeções, doenças auto-imunes, cancro, entre outros).
Essencialmente, os rins deixam de funcionar corretamente. Os sintomas mais típicos são o aumento do consumo de água, o aumento ou diminuição da urina, presença de sangue na urina, perda de peso, diminuição do apetite, vómitos ou diarreia.
Como os rins deixam de fazer a filtragem correta do sangue, existe uma acumulação de substâncias tóxicas na corrente sanguínea e pode haver retenção de líquidos no corpo, provocando inchaços nos membros e ascite (acumulação de líquidos no abdómen).
O tratamento da doença renal depende desta ser uma situação aguda (aparece de repente) ou crónica (desenvolve-se lentamente e torna-se irreversível).
No caso da insuficiência renal aguda, que pode ser desencadeada por outro problema de saúde como infeções, parasitas ou exposição a toxinas, o tratamento é dirigido a essa causa. Podem ser administrados fluídos e diuréticos para regularizar a produção de urina.
Para a insuficiência renal crónica, geralmente aplica-se um tratamento sintomático e de suporte. É importante que os níveis de fluídos no organismo do animal sejam mantidos estáveis, para evitar a desidratação.
Numa fase inicial, um maior consumo de água (a que o animal deve ter sempre acesso) poderá ser suficiente. Mais tarde, a administração de fluídos de forma subcutânea ou intravenosa pode ser necessária.
Os animais com doença renal devem ser alimentados com rações especialmente formuladas para essa doença. O veterinário indicará a ração mais apropriada consoante a situação.

Tosse dos canis

A tosse dos canis, mais corretamente chamada de traqueobronquite infecciosa canina, é uma doença respiratória relativamente comum nos cães.
Na sua base não está apenas um microrganismo, mas vários, em particular os vírus Parainfluenza canina, Influenza canina e Adenovírus canino tipo 2, bem como a bactéria Bordetella bronchiseptica, esta última capaz de infetar também seres humanos.
Sendo uma doença transmitida por contacto direto, tem uma grande capacidade de propagação em sítios onde são mantidos muitos animais juntos, como associações e canis (daí a origem do nome).
Os animais infetados sofrem de tosse seca constante e espirros, que por vezes são desencadeados em sessões que parecem intermináveis. Em casos mais graves, podem surgir sintomas como febre, perda de apetite, secreções nos olhos ou tosse com catarro.
A doença pode chegar a evoluir para uma pneumonia. Cães mais jovens e mais idosos são os que correm maior risco.
Para o tratamento da tosse dos canis, o médico veterinário poderá prescrever medicação antibiótica, anti-inflamatória e antitússica / antitussígena. Caso o animal fique desidratado, pode ser necessária a administração de fluídos e inalações. Durante o tratamento, os cães devem ficar em repouso.
O melhor método de prevenção desta doença é a vacinação, que deve ser dada aos cães ainda bebés (a partir dos dois meses) juntamente com as restantes vacinas preventivas. Caso o animal ainda não tenha sido vacinado, não deve ser exposto a ambientes onde possa ser contaminado, como canis, hotéis para animais ou lojas de animais.

Hepatite infecciosa canina

A hepatite infecciosa canina (HIC), também conhecida como hepatite viral canina ou doença de Rubarth, é uma doença vírica provocada pelo Adenovírus canino tipo 1.
É uma doença altamente contagiosa, uma vez que o vírus se aloja em todos os tecidos e é eliminado em todo o tipo de secreções. Assim, pode ser transmitido quer pelo contacto direto, como pelo contacto com secreções ou objetos utilizados por outros animais infetados.
Os sintomas desta doença podem ser muito variados. O vírus atinge principalmente os rins, fígado, baço e pulmões dos cães, mas pode prejudicar inclusive o sistema nervoso central, sendo frequentemente confundida com a cinomose. Podem surgir vómitos, febre, diarreia, apatia, icterícia (mucosas amareladas) falta de apetite e muita sede.
Uma vez que o vírus afeta a capacidade de coagulação do sangue, também podem surgir hemorragias. Caso afete o sistema nervoso, podem ainda surgir complicações como depressão, desorientação ou convulsões.
Tratando-se de uma doença vírica, a hepatite infeciosa canina não tem cura específica. O tratamento é sintomático e visa melhorar a qualidade de vida do animal, mantendo o organismo equilibrado em termos de hidratação, vitaminas ou regeneração hepática. Podem ser prescritos antibióticos caso surja uma infeção secundária ou transfusões de sangue se as hemorragias forem significativas.
A prevenção desta doença é feita através da vacinação, que se revela bastante eficaz. Deve-se evitar o contacto com outros animais que apresentem algum tipo de sintoma para evitar o contágio.

Babesiose / Piroplasmose

A babesiose, também conhecida como piroplasmose ou doença do carrapato, é uma doença provocada por um organismo protozoário chamado Babesia canis.
Este protozoário, para completar o seu ciclo de vida, necessita de um hospedeiro intermediário, designadamente uma carraça / carrapato fêmea.
A carraça alimenta-se de um animal infetado, ingerindo o protozoário, que passa para o aparelho reprodutor da carraça para se propagar nas gerações seguintes. As novas carraças transmitem então o protozoário a outros cães, propagando a infeção.
Quando entra no organismo de um novo animal, o Babesia canis instala-se na corrente sanguínea, mais concretamente nos glóbulos vermelhos, destruindo-os, o que provoca um grande nível de anemia.
Entre os sintomas destacam-se um cansaço anormal (sobretudo depois de exercício físico), febre, anorexia, urina escura (cor de café), icterícia e uma crescente falta de interação, quer com os donos como com outros animais. Pode ocorrer um aumento do tamanho do baço e quadros de insuficiência renal aguda.
A babesiose tem tratamento e cura, uma vez que existe medicação (babesicidas) capaz de matar o protozoário responsável. Para além do tratamento direto, podem ser necessários outros tratamentos para combater os problemas causados pelo microrganismo, como a anemia ou a insuficiência renal.
Sendo uma doença transmitida por carrapatos, a melhor forma de a prevenir é desparasitar os cães e o ambiente onde eles vivem.
Deve-se verificar regularmente a presença de carrapatos no cão (especial atenção nas orelhas, entre os dedos, em redor dos olhos, nuca e pescoço), utilizar produtos carrapaticidas sempre que necessário, desinfetar a casa e estar atento ao contacto com outros cães que possam ter carrapatos.

Doença de Lyme

A doença de Lyme, também conhecida como borreliose, é mais um dos problemas de saúde caninos com origem nos carrapatos.
A bactéria responsável por esta doença é a Borrelia burgdorferi, que é transmitida aos cães pela picada de um carrapato infetado. Além dos cães, também os cavalos, os bovinos e os seres humanos são suscetíveis de contrair esta doença. Os gatos parecem ser resistentes.
Quando a bactéria entra no organismo do animal, pode provocar uma série de complicações, incluindo infeções cerebrais. Geralmente os primeiros sintomas são a febre, vómitos, dores abdominais, inflamação nas articulações (artrites) e até letargia (animal demasiado parado e sonolento).
Tratando-se de uma infeção bacteriana, a doença de Lyme é geralmente tratada com antibióticos.
A melhor forma de prevenir esta doença, é prevenir o contacto do animal com carrapatos. O cão deve ser desparasitado regularmente com produtos carrapaticidas e a casa onde vive também deve ser desinfetada.


Estas são apenas alguns dos exemplos de doenças que podem atormentar o seu melhor amigo. Infelizmente, existem muitas mais. Se reparar que o seu cão tem algum destes sintomas, não hesite e contacte um veterinário. E lembre-se, a vacinação adequada ajuda a prevenir várias destas doenças. O seu patudo agradece.